Fiquei pensando hoje que a Apple poderia ter criado a Itália. Se tivesse sido assim, teríamos algumas opções de Itálias no mundo, todas elas muito interessantes:
Inspirada no iPod:
Seria um país com uma capacidade imensa de opções de lazer, produção musical fervorosa e cinematográfica muito recente e moderna. Olhando por fora se teria a impressão de que tudo é muito fácil e simples, basta chegar e em questão de minutos você entende como tudo funciona. Qualquer problema, basta ir no setor especializado e os problemas serão resolvidos. Melhor de tudo, todo ano melhora!
Inspirada no MacBook:
Politicamente seria um país como todos os outros. Teria a opção de ser eficiente e limpa quando o assunto é resolver problemas mas também seria compatível com as infinitas discussões e debates políticos que existiriam no resto do mundo. Seria quase como usar dois sistemas em um único país. Aquele que melhor resolve os problemas dele próprio e aquele que melhor se adapta à imensa maioria.
Inspirada no iMac:
A Itália seria uma potência. Por fora pareceria só um local exótico, curioso, mas por dentro as possibilidades seriam inacreditáveis. A capacidade de criação do povo seria maior do que os seus colegas vizinhos e, além disso, todo mundo se perguntaria: De onde eles tiram tanta capacidade?
De todas as maneiras, uma palavra me martela a cabeça: Eficiência! Tudo o que você quiser estará lá, fácil e claro. Mas, sabemos que nem tudo é perfeito, nem mesmo a Apple, e eles não poderiam ter criado a Itália...
Agora, será que se a Itália tivesse sido inventada pelo Google??
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
iTália
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Tudo acaba em Pizza
Eu realmente fico impressionado com a capacidade que temos em demorar pra perceber algumas coisas e a velocidade com que nos damos conta de outras.
A Itália é o país conhecido pela sua pizza, correto? Pois é, nada melhor do que eles mesmos, italianos, pra pensarmos um pouco sobre a origem da expressão "Acabou em pizza". Eu não sou lingüista ou coisa parecida (embora saiba que ainda se usa trema. Pois é, podem espernear, mas ainda se usa) mas tenho liberdade pra pensar nisso.
Aqui as coisas funcionam muito mal, em geral. A criminalidade só é menor que no Brasil porque o governo é muito assistencialista. E via de regra, quem comete crime aqui acaba preso ou deportado. A quantidade de imigrantes ilegais criminosos é grande mesmo.
Bom, vejam só que exemplos banais e comentáveis:
- O país está sem um primeiro ministro. Ele renunciou porque o Senado não deu o voto de confiança que ele precisava. O que vai acontecer? Dizem que farão uma nova lei eleitoral, novas eleições só depois, que o Berlusconi volta. Eu digo: PIZZA!!!
- Alitalia sendo vendida. A companhia está falida, o aeroporto de Milão/Malpensa é um dos piores aeroportos que existem porque fica simplesmente longe de tudo. O governo precisa vender a Companhia, privatizar pra que ela possa continuar levando a bandeira da Itália mundo afora (fingindo que o país merece ser bem representado fora. O Procon mundial deveria aplicar uma multa por propaganda enganosa). Eu digo: PIZZA!
Percebe-se que a península é o país da Pizza por vários motivos. Dois deles eu coloquei acima. Ah, e se alguém pensa que a Itália está prosperando, leia melhor a parte internacional do jornal. Napoli está se afogando em lixo. A última manchete que eu vi dizia algo em torno de 7 mil toneladas de lixo pela rua (falta de aterro). A economia está praticamente estagnada (como a da França) e a política é tão ruim ou pior que no Brasil.
O que a gente faz numa situação assim? Eu, que aqui sou estrangeiro, dou risada, mas quando chegar no Brasil, ah... Eu vou comer a boa e velha Pizza!
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sábado, 26 de janeiro de 2008
Quem arruinou a Itália 2?
Pois é amigos,
O post é curto, mas direto ao ponto.
O primeiro ministro italiano, Romano Prodi, renunciou ontem, sexta-feira, depois de perder o voto de confiança do senado italiano.
A história é mais longa do que parece, mas tudo indica que a Itália ficará sem um primeiro ministro por algum tempo, depois vai ter de volta um outro, que pode ou não ser eleito, enfim.
Vamos ver onde vai parar, mas que a Itália está entrando num caminho sem volta, recessão e insatisfação geral, isso está. Os vizinhos franceses, em 1789, pegaram em armas e cortaram a cabeça do rei. Se os italianos terão coragem de fazer o mesmo... haha... Isso eu duvido.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Trabalhe na Itália!
Venham todos pra cá, é o melhor lugar pra trabalhar que existe.
O leitor regular se pergunta se é o mesmo autor dos outros posts... Eu garanto que sou eu mesmo. Mas aqui o equema é bom porque ter um emprego está muito, mas MUITO longe de significar que você precisa trabalhar.
Ontem fomos a uma joalheria. A Carol, minha namorada, precisa ajustar o tamanho de um anel que ela comprou e iríamos então perguntar o preço e os detalhes. Tocamos a campainha (fica trancada a porta) e ela magicamente se abriu.
Ali dentro vimos que uma senhora no andar de cima (mezzanino) fumava e falava ao telefone. Esperamos uns 2 minutos e nada de ela atender. Ficamos irritados e resolvemos sair. A porta trancada. Aí olhei pra cima e falei "Desculpe". Ela mais do que rapidamente pediu pra pessoa no outro lado da linha aguardar um instante e perguntou:
- Vocês precisavam de alguma coisa?
- Sim, eu preciso saber quanto custa pra ajustar esse anel.
- Ah, a vendedora só chega umas 15:30 (Eram 14:00).
Aí a gente se irritou com a preguiça da infeliz senhora e falamos:
- E o que estamos aqui fazendo esperando?
Ela responde, italianamente:
- Eh... Abro a porta pra vocês.
Não é o cúmulo do absurdo? A mulher abre a porta e não atende os próprios clientes. Ela nem assimila nossa chegada com um "Um momento". Cada dia que passa esse descaso irrita ainda mais.
A impressão é de que ao entrar numa loja pra fazer compras, os vendedores estão te fazendo um favor ao atender. E sabe o que é pior? Todo mundo que enfrenta isso aqui nesse país acha "charmoso".
Como é charmoso ser burocrático, demorado, enrolado. Como é charmoso ter um presidente que não estudou direito, deputados corruptos e péssimo atendimento em setor público. Esse parágrafo fala do Brasil... Pra se tornar a Itália basta acrescentar: péssimo atendimento no setor público E privado.
Sem mais
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domingo, 20 de janeiro de 2008
Faça uma boa prova!
É comum no período de provas das Universidades Italianas vermos um aglomerado de gente nas salas de estudos e bibliotecas estudando. Aliás, é comum vê-los estudando sempre. Na época das provas cresce o desespero e a dedicação com preparação de papéis com cola e outras coisas.
O ponto interessante e culturalmente diferente no entanto não é esse. O que eu queria mesmo ressaltar é como eles se saúdam antes das provas. Ninguém fica falando boa prova, boa sorte, vá tranqüilo. O normal é usar uma expressão idiomática aqui que, traduzida ao pé da letra que dizer: na boca do lobo.
Isso mesmo, "In bocca al lupo" é a frase dita para um infeliz candidato a uma prova.
Tentando entender o que isso quer dizer (porque eles mesmos não sabem explicar) cheguei à conclusão de que eles querem dizer que você está ferrado. Por exemplo, vou entrar para uma prova que eles sabem que é difícil e, então, me lançam a frase. Desavisado, eu agradeço, sem entender. Aí eles falam muito alto (aliás, não só nessa hora):
"Mas não se diz obrigado pra 'in bocca al lupo'!!!".
Claro, eu como estrangeiro já teria que saber disse há séculos!!! Mas eu ainda pergunto o motivo, e a resposta é tão esclarecedora quanto objetiva:
"Se diz 'crepi'!".
A resposta, amigos, é ainda mais intrigante. Não basta o lobo estar te abocanhando, mas você ainda deve destruí-lo. A versão educada de "crepi" seria "às favas". Não vou traduzir o que realmente se quer dizer, mas basicamente se diz que vai acabar com o lobo.
Terça-feira tenho prova, portanto, "crepi" pra todos os que me fizerem o "in bocca al lupo".
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Quem arruinou a Itália?
Foi Mussolini? Os americanos? Os franceses? Foi a Segunda Guerra? Eu não sei, mas outro dia no ônibus tive um palpite que me leva a crer que nem eles mesmos querem ouvir a resposta certa, se é que existe uma.
Depois de esperar por 20 minutos no ponto do ônibus (deveria passar 1 a cada 7 minutos), uma senhora entrou e sentou-se ao meu lado, reclamando do momento em que o motorista chegou até praticamente quando ela saiu do ônibus (o trecho que ela andou tinha aproximadamente 1,4 km).
Ela começou com o discurso básico, que não se respeita mais, que não se passa mais ônibus como antigamente, que não tem o controle pesado dos horários que tinha antigamente. Ou seja, tudo ERA e nada É. Estou replicando traduzidas as palavras da tal senhora. Continuando o discurso, por uns 2 minutos eu ouvi quieto e concordei porque ela realmente tem razão quando diz que os horários são desrespeitados.
Aí resolvi lançar um comentário, bem direto, dizendo que também não existe um controle sobre quem comprou a passagem ou não.
Abre parêntese. Na Itália e também na Europa (eu separei os dois pra conseguir lidar com a vida aqui) não existe cobrador. Você compra a passagem e carimba numa máquina que está dentro do ônibus. Uma vez em um milhão aparece um funcionário que verifica se todos estão "legais".
Fecha parêntese.
A senhorinha desembestou a falar, que realmente se todos pagassem o serviço seria ótimo, isso, aquilo, assim e assado. A chave de ouro foi quando ela virou pra mim e, antes de sair, confessou sua verdadeira e preconceituosa/xenofóbica opinião.
2 definições:
Comunidade Européia (nem eles sabem exatamente quem são) mas a grosso modo são os países que compõem a União Européia... Vou deixar assim, sei que tá errado, mas basicamente é isso.
Extracomunitário: Qualquer um que não possua o passaporte vermelho ou cidadania européia: EU.
A opinião:
"Sabe... O problema são esses extracomunitários que nunca pagam as passagens e quem paga somos nós. Eu desço aqui, obrigada pela companhia."
O placar empatou. Me senti ofendido porque EU sempre paguei as passagens, ao contrário da massiva maioria dos brasileiros que chega aqui e quer dar uma de esperto. É a mesma cabecinha que faz o Brasil ir pro buraco, embora os foras-da-lei não assumam isso.
Me senti ao mesmo lisonjeado porque ela elogiou indiretamente meu nível de italiano. Não percebeu que eu estava no grupo dos famigerados extracomunitários que ela tanto odeia.
A verdade pela qual a Itália está arruinada (palavras de outro italiano, um senhor, que reclamava em voz alta no ônibus) eu não sei qual é, mas só consigo pensar numa coisa: A Itália é governada por italianos, eleitos por italianos.
Portanto, repetindo:
Quem arruinou a Itália?
Está aberta a discussão...
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
A verdade nua e crua
Imaginem um jogo da Mega-Sena, onde você deve marcar 6 números e acertar 4, 5 ou 6 pra ganhar alguma coisa. Agora imaginem que você tem certeza que acertou apenas 2 (por algum motivo, dá pra saber). Quando sai o resultado, não são divulgados os números sorteados mas a lista de nomes e de quantos números cada um acertou, em uma escala de 0 a 30.
A semelhança com o sistema de avaliação da Itália é grande. Não estou falando da Lotto italiana, mas sim das provas no Politecnico di Torino. A prova teste de quarta-feira passada possuía 14 questões com respostas de múltipla escolha. Com base no que eu sabia, consegui responder apenas 4 questões e chutei o resultado das outras. Para alcançar a nota mínima, eu deveria acertar 9 questões.
Chutando mais 8 respostas e deixando 2 em branco, consegui tirar a seguinte nota: 20 (de 30 possíveis). Alguns fatores pelo qual essa nota seria impossível de tirar:
1 - Tendo respondido 12, minha nota máxima seria 25,7.
2 - Ter tirado a nota 20 significa que acertei 9,77 questões, das 14.
1+2 - Significa que errei 2,23 questões entre as 12 que respondi.
3 - Prova "teste" não tem meio certo.
Eu acho muito difícil que eu tenha acertado os 10 testes necessários (porque ninguém acerta parte de testes), mas consegui o 20. Longe de mim reclamar, é mais uma prova que tiro do meu caminho, mas que é estranho é.
O que me intriga ainda mais é que na avaliação objetiva, quero dizer, naquela em que o professor olha pra um X no gabarito, compara com o gabarito certo dele, e vê se acertei ou não, ele consegue atribuir uma nota impossível de ser tirada (passa os alunos com nota baixa). Quando a avaliação é subjetiva, nas provas orais, onde ele poderia fazer o mesmo, ele age com objetividade e NÃO passa às vezes.
Em tempo, tenho tido uns novos comentários por aqui e fico feliz de saber que tenho leitores. Espero de alguma forma estar contribuindo com a vida de todos, se não for fazendo rir, pelo menos passando um ponto de vista de como é viver e estudar na Europa.
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sábado, 12 de janeiro de 2008
RH de uma empresa
Tenho uma amiga que começou a trabalhar no final do ano passado como estagiária, logo depois de se formar em Torino. A empresa ofereceu um trabalho de 40 horas semanais por um valor que eu considero baixíssimo. Só não vou escrever aqui sem a aprovação dela antes.
Em novembro, o RH da empresa ofereceu a efetivação a partir de março de 2008, depois do período de estágio pra ela. Tudo muito interessante, com o diploma ela poderia ser uma funcionária e não estagiária etc.
O que acontece, agora, é que o RH da mesma empresa, a informou de que "eles não podem contratar estrangeiros" e que ela poderia ficar com estagiária, ganhando o mesmo ínfimo salário que não paga nem aluguel + contas.
O cúmulo da burrice (sim, porque nesse caso não tem outra palavra) é o RH da empresa não saber das regras do próprio país em que está localizado. A Itália quer italianos trabalhando e permite que, uma vez por ano, as empresas apresentem pedidos para contratação de estrangeiros. Basicamente, se você for uma empresa e quiser contratar alguém muito competente que não seja Europeu, é uma vez por ano a chance de fazer isso, senão você fica obrigado a contratar um italiano menos competente.
O comentário que me vem na cabeça é uma sensação que tenho de vez em quando aqui e que faz muito mal: Ser estrangeiro aqui é uma humilhação muito grande. Você se sente pequeno, inútil, desrespeitado, um verdadeiro lixo. É isso que eu acho que o brasileiro oferece muito bem ao mundo: Calor humano de boas vindas.
E não é o caso de tirar um passaporte daqui não, é o caso de não ser parte disso aqui, de não se sentir em casa. De uma condição de temporário em um lugar.
Sinto muito por essa minha amiga, que vai embora pro Brasil com raiva (e com razão) e perderemos sua companhia aqui. É o anto-semitismo [burocrático] italiano mostrando as garras.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Moda italiana - Parte 3 - Final
Chegamos à última parte da descrição sobre moda italiana. Com as notícias cada vez mais quentes sobre RJ Fashion Week, Gisele Bündchen dando volta ao mundo etc., achei que seria a hora de encerrar aqui.
Os italianos adultos maduros, de 40 anos ou mais, são já pessoas que se vestem normalmente muito bem.
Os homens costumam usar camisas e calças sempre impecavelmente lisas, limpas e bem cortadas, sempre do tamanho adequado. Em momentos mais formais, o sapato também bem cuidado ou então, informal, um sapatênis. Tênis é raro.
As mulheres também se vestem muito bem. Normalmente jeans e bota ou sapato, quando não usam saias e meias-calças (sim, as MULHERES usam meia-calça aqui) nesse frio congelante.
Olha, eu sou péssimo pra reparar em roupas, meus comentários são mais genéricos mesmo (ainda bem, se eu quisesse entender de moda, eu teria seguido outra área de estudos). O que sei dizer é que eles usam e abusam das boas marcas, mas sem ostentação.
Outra coisa que se percebe é que eles estão sempre na coleção do ano. Eu sei disso por dois motivos: Sempre que sai coleção nova, eles correm pras lojas (que anunciam a chegada dos novos produtos) e também pela quantidade de roupas usadas (em ótimo estado) que se pode encontrar em brechós e feiras.
Se a juventude resolvesse aprender com os mais velhos a se vestir bem, a Itália seria realmente o local com o povo mais bem vestido do mundo (arrisco a dizer que até mais que os franceses). Obviamente não quero ver uma menina de 12 anos com terninho ou tailleur, mas pelo menos usando roupas ao invés de trapos.
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Moda italiana - Parte 2
Seguindo com a descrição da moda italiana, agora na faixa dos 20 anos até o final da faculdade.
Um italiano com mais de 20 anos já procura se formalizar. "Entrei na faculdade, preciso me vestir como um universitário". Esqueça tênis e camiseta, como no Brasil, e coloque roupas bem mais formais. Já uma camisa e um colete quando faz mais frio, um casaco bem respeitável e pomposo.
Cabeça:
Cabelo bem cortado, pode ser curto ou comprido. Quando curto, bem penteado. Quando comprido, geralmente com cremes ou géis para deixar o aspecto de molhado. Boné abolido, proibido, pecado, heresia!
Tronco
Camisa. Camiseta não será mais vista. Ou digamos muito raramente. As camisas são sempre bem cortadas, geralmente listradas. O colete que vai por cima é das mais diversas cores. As meninas usam blusas geralmente bem condizentes com as situações. Digo, raramente usam regatas, mas usam as camisetas (camisetinhas e blusinhas, no Brasil).
Pernas
Aqui muda-se pouco, com a diferença que a calça agora cabe nas pessoas. As meninas ainda continuam com um ou outro detalhe brilhante e um ou outro símbolo D&G.
Pés
Sapatos, para os homens, e tênis e sapatinhos para as mulheres.
Parece que o post foi muito menor que o outro. Talvez descritivamente, sim, mas o raciocínio é agora.
As pessoas aprendem normalmente depois de errar. Erra-se, livra-se do erro e com esse processo se aprende. Realmente, a moda italiana tem razão de ser prestigiada. E eu agradeço até hoje o fato de a influência da juventude italiana não chegar no Brasil.
O salto de qualidade é alto demais. Se transfere de uma situação que beira o ridículo das passarelas para uma situação que reflete a essência de um povo que, via de regra, se veste muito bem. Na rua dá pra ver que os adultos de mais de 30 anos estão sempre bem arrumados, sejam homens ou mulheres. Elas usam muita maquiagem, mas não é mais aquela coisa gritante da época teen da vida.
Fica minha promessa de procurar ilustrar melhor tais situações com fotos. Quem sabe no final de semana consigo fazer um giro pela cidade encontrando figuras carimbadas e coloco aqui.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Moda italiana - Parte 1
A Moda Italiana é talvez a mais conhecida no mundo. Dolce e Gabbana, Giorgio Armani, Fendi e por aí vai. Não demora muito para chegarmos à conclusão de que na Itália se veste bem. E também não demora (se você está lendo aqui, sabe que não é tão simples assim) pra descobrir que não é bem assim que acontece, pelo menos se dividimos em faixas etárias.
Um italiano até os 12 anos ainda se veste de acordo com o gosto dos pais. Ou seja, uma coisa mais ou menos padronizadas com todas as crianças do mundo. A exceção foi quando vi um garoto na pista de patinação o ano passado, com uma camiseta por dentro da calça jeans (até aí normal) mas usando um cinto malhado. Cinto branco, malhado de preto. Daí pra frente, só piora.
Não sei exatamente o motivo, mas a gente aqui na Itália tem a impressão de estar sempre na Semana da Moda, e não estou falando da RJ/SP Fashion Week (ou agora se chama Semana da Moda do Rio, ou de São Paulo). A semana da moda de Milão por exemplo, que é coisa séria.
Dali pra frente, só piora. O ragazzino (ou a ragazzina) começa a tomar gosto pelas próprias roupas e a coisa desanda de vez. Imagine um italiano, com uns 15 anos, de mais ou menos 1,65 de altura, de cima a baixo, vestido mais ou menos assim:
Cabeça:
Ou o cabelo de pardal com aquelas franjas no pescoço também chamadas de mullets, ou então um boné. O boné é virado pra frente, mas aponta pra cima, sem proteger do sol e pode ser de uma combinação de quaisquer uma das 3 seguintes coisas:
1 - Dourado
2 - Prateado
3 - Marca famosa
Tronco (melhor descrição)
Camiseta, sempre com alguma marca famosa, de preferência D&G (Dolce e Gabbana), mas estampada por todos os lados. Podem ser milhares de estrelinhas ou Ds e Gs evidenciando a marca. Quanto mais colada ao corpo e quanto menor for a manga, mais cool.
Pernas
Novamente, abusa-se do jeans azul (tradicional) e detalhes dourados D&G. Novamente, quanto mais apertada (justa) melhor. Se puder ser uma calça branca com quadrados (enormes) pretos, também é super cool.
PS: Sobre o fato de ser justa, estou falando de homens, quanto mais colada ao corpo, melhor.
Pés
Tênis inteiramente dourado ou prateado. Sempre D&G ou outras marcas famosas, como Nike.
Resumo
Sábado de tarde, dia de ir ao Shopping falar alto e desfilar, a juventude padrão se veste com um boné Von Dutch, com aba mais do que dobrada e apontando pra cima. Coloca uma camiseta branca quase rasgando de tão pequena (15 anos de idade, usa-se a camiseta do seu irmão de 4 anos) e, por cima, uma jaqueta de algodão preta com estrelas brancas (milhares de estrelas). A calça também é justa (nesse caso, compra-se na loja para crianças de 8 a 10 anos, sempre para que um de 15 anos use) e é branca com quadrados pretos (pra combinar com a jaqueta) e finaliza-se com o tênis nike todo dourado.
Agora, tem homem por aqui usando meia calça e achando normal. O pior: brasileiro! A influência é grande amigos. Uma dica: não sou eu.
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domingo, 6 de janeiro de 2008
Corporações na Itália
Moro num país com particularidades, tão fortes que às vezes até mesmo grandes corporações consagradas por seu atendimento padronizado em todo o mundo são atingidas pelo modo italiano de ser, pensar e agir.
O McDonald's é uma delas. Lembram-se que a máquina que faz Milk-Shakes estava quebrada? Pois é, arrumaram. A idéia era, então, comer a promoção do McMenu e trocar o refrigerante pelo Milk-Shake, todos sairiam felizes. Fácil demais pra ser possível aqui.
"Sinto muito, não fazemos a troca do refrigerante pelo Milk-Shake". Eu perguntei o motivo e recebi a seguinte explicação: "Nós somos franqueados McDonald's Italia e as diretrizes não nos permitem fazer essa troca, cada país tem o seu grupo de diretrizes". Claro, Napoli deve estar em outro país pois lá foi perfeitamente possível trocar a Coca-cola pelo Milk-Shake.
Pelo menos o lanche especial é feito aqui.
O capitalismo ainda não se instalou bem aqui. Desde Mussolini existe um campo de força que impede as empresas italianas de prosperar. Que impede o mercado de livre concorrência na península. Basta ver a quantidade de empresas bem sucedidas e a oferta de emprego comparada entre Itália e Alemanha, por exemplo. Empregos na Europa mudam de país pra país, mas esses dois eu tenho dados bem aproximados:
Alemanha:
Empregos, nem estão se dando ao luxo de exigir fluência em alemão de candidatos estrangeiros, basta estar disposto a aprender.
Itália:
Se quiser, o salário inicial é de €400/mês. E só começa a ser pago depois de 2 meses de experiência grátis. O aluguel de um apartamento aqui começa em €300, e com €100 não se pagam todas as contas.
Isso que eu to falando é pra um engenheiro. Imaginem só outras áreas?
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
[P]revisão do tempo
O clima frio finalmente recompensou quem esperava por uma neve. Torino recebeu uma precipitação fraca mas constante desde quarta-feira dia 2 de janeiro até sexta-feira pela manhã. Foi suficiente pra deixar a cidade um pouco branca, mas fraca demais pra persistir. De tarde já estava misturado o verde da grama com o branco da neve.
Algumas das fotos mostram direito como estava a cidade por volta de 11:00 do dia 3 de janeiro. O parque do Valentino, por volta de 16:00, tinha pouca neve, mas uma ou duas bolas consegui arremessar.
Parecia um turismo na neve. A previsão do tempo diz que o fenômeno continua ainda hoje um pouco, mas não é o que está acontecendo. Infelizmente está chovendo, serenando, e essa água derrete o que sobrou.
Encontrei um italiano só entre o início da nevada e hoje e ele está feliz. Feliz porque acabou, porque não tem neve, porque a neve na cidade gera caos. Infelizmente a cabeça dele não está raciocinando. Não ter neve na cidade significa que o ambiente está indo embora. Que a Terra está dando sinais de cansaço, quase que como dizendo: "Pessoal, ou vocês param, ou eu acabo com a humanidade".
Enquanto isso aproveito da janela algumas vistas do derradeiro manto branco que cobre algumas partes da cidade. Resta torcer para que cheguem mais frentes frias e permitam mais nevadas ao longo do inverno. Janeiro e Fevereiro são meses frios aqui, e já que via ser frio, pelo menos que seja bonito!
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terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Cancelemos o Ano Novo
Parece piada, mas não é. O Ano Novo em Torino foi cancelado pelo prefeito, que passou o Réveillon na Argentina, bem longe do fiasco que ele armou por aqui.
Tudo começou há uns 21 dias, quando dentro da fábrica da ThyssenKrupp aqui em Torino ocorreu um incêndio que vitimou 7 funcionários. O caso ganhou uma repercussão muito grande e várias manifestações de revolta surgiram pela cidade ao longo dessas 3 semanas.
Acontece que no dia 30/12 faleceu o último dos funcionários que estava internado ainda. Ele sofreu queimaduras e não resistiu. Meus respeitos à família da vítima e minha tristeza por essa fatalidade. Gostaria agora de me destacar do ocorrido sob esse escopo e comentar sobre a decisão tomada por esse ilustre e inconseqüente político.
Uma vez disse Arnaldo Jabor: "Piada de presidente pode ter graça, mas é coisa séria!". Eu uso aqui suas palavras pra expor e pensar (coisa que com certeza ele não fez) nas conseqüências dos atos.
O sujeito, da Patagônia, passando seu final de ano em paz, decidiu CANCELAR a festa de Ano Novo de Torino. Um show que duraria de 21:00 até 01:00 e a queima de fogos sobre o Rio Pó, anunciando a chegada do novo ano.
Ele achou por bem fazer isso para "demonstrar a enorme dor pela qual passa a cidade de Torino com esse acidente ocorrido". Agora eu pergunto, e quero respostas: O que EU tenho a ver com isso? O que os turistas que reservaram seus hotéis e pagaram seus vôos até aqui têm a ver com isso? O que a população toda tem a ver com isso? Meu ponto não é desrespeitar a morte, longe disso, mas abrir a cabecinha de minhoca (com todo respeito às minhocas, que me perdoarão com certeza) de uma gentinha (o prefeito e seus seguidores) que não sabe o que pensa.
Seria respeitoso fazer do concerto uma ocasião de homenagem aos mortos no acidente. "Povo de Torino, vamos, em respeito aos mortos e para mostrar nossa indignação com o ocorrido, atrasar nosso Réveillon em 1 minuto. 1 minuto de silêncio!". Eu acho que ficaria bonito e duvido que não houvesse um respeito com esse ato.
O pior: Os Vários italianos concordam (não comigo, óbvio, mas com o prefeitinho)!!! Conversando com pelo menos 3 deles, eu vi que eles acham que está certo acabar com a virada de ano de alguns milhares de pessoas, quase como que mandando-as não comemorar a chegada do novo ano.
É revoltante, pra dizer o mínimo. Também usando as palavras de um amigo brasileiro que está aqui estudando também: "Italiano é um povo que gosta de sofrer". E realmente, ao invés de usar a ocasião pra fazer a mais chocante homenagem, preferiram calar-se e mostrar o desrespeito com todo um grupo de pessoas.
Enfim, pedras vão chover em mim, mas eu mantenho minha opinião: Não tem sentido acabar com o ano novo de tanta gente por causa de um acidente. Imaginem o cancelamento em Copacabana porque morreu alguém num assalto? Ou então cancelar o Réveillon na Paulista também porque alguém perdeu a vida? New York teria cancelado alguns milhares de Réveillons por causa do 11 de setembro!
Sabe aqueles 3 italianos que concordam com o cancelamento? Põe na conta deles a passagem, o hotel e os outros gastos com um Réveillon cancelado em qualquer outro país.
Eu moro aqui e tenho que agüentar, mas não imagino que um turista esteja muito contente em ter gasto um dinheiro grande pra virada e passe por isso. Depois muitos italianos reclamam que o país é mal visto e não entendem o motivo.
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domingo, 30 de dezembro de 2007
Aeroportos Europeus
Eu não sou um grande expert em aeroportos europeus, mas como entusiasta da aviação e, por conseqüência, aeroportos e tudo o que diz respeito a eles, me sinto livre pra comentar sobre uma outra reportagem que encontrei na internet. O texto original em inglês (Herald Tribune) pode ser encontrado aqui. O UOL postou também uma versão traduzida que talvez exija uma conta de e-mail do portal.
O interessante da reportagem é ler o que está escrito sobre a Itália, especificamente o aeroporto de Roma. Não vou estragar a surpresa, mas recomendo a leitura.
Minha experiência aeroportuária se resume a algumas visitas, que exponho na ordem de primeira ocorrência e número de ocorrências:
Paris/Charles de Gaulle (3 vezes) - França
Milão (2 vezes) - Itália
Vienna (1 vez) - Áustria
Paris/Orly (1 vez) - França
Amsterdam (1 vez) - Holanda
Genebra (1 vez) - Suíça
Bergamo (1 vez) - Itália
Düsseldorf (1 vez) - Alemanha
Helsinki (1 vez) - Finlândia
Tampere (1 vez) - Finlândia
Stansted (1 vez) - Inglaterra
Luton (1 vez) - Inglaterra
Torino (2 vezes) - Itália
A lista só serve pra comparação com a reportagem, mas posso dizer que:
A fila de controle de passaportes (tanto faz se é cidadão ou não) em Stansted é absurda. 90 minutos é o tempo que levei pra ser verificado e liberado.
As esperas são longas em todos, isso é fato. Só com raras exceções se consegue levar menos de meia hora pra fazer uma das atividades normais de aeroporto.
O irônico é que o Aeroporto de Paris, que foi dado como péssimo, nunca me deu problemas e sempre foi relativamente satisfatório. Acho que é porque eu gosto e curto essas visitas. Fiz uma caminhada de meia hora entre meu avião da Itália para Paris e o próximo, que iria pra São Paulo. Fui observando tudo. Tive 2 horas de intervalo entre vôos, então fiz tudo com calma.
Roma, pra ser honesto, não conheço, mas Milão é uma bagunça. O vôo chega e tem que esperar alguém pra trazer a escada até o avião. Depois a esteira de malas demora pra começar a rodar e, de quebra, a caminhada por túneis é longa e tediosa. Sem falar que não tem absolutamente nada de interessante pra fazer (nem uma arquitetura bonita).
Torino é mais simpático, mas não tem cara de aeroporto, tem cara de rodoviária de São Paulo - Tietê num domingo 13:00. Onde alguns poucos partem e outros chegam, sem nada aberto quase. 2 restaurantes e uma banca de jornais, basta.
O ponto interessante é o reflexo, na reportagem, do serviço ao consumidor italiano. Fique claro: Você, consumidor, é um infortúnio, um péssimo incômodo para os funcionários. Não peça ajuda, não espere clareza nas informações, afinal tá tudo escrito (onde, não sei, mas está).
Essas empresas de vôos low-cost escolhem aeroportos secundários, terciários ou quase inexistentes para pousar/decolar. É quase como se a discussão fosse:
- Hmmm, Aquela rodovia ali, se pousarmos, já entregamos os passageiros com o menor custo... Ah, tem que ser num aeroporto??? Droga...
Aí constrói-se um galpão de madeira e gesso acartonado (isolamento acústico ZERO, pq custa muito, embora o gesso permita isso), colocam umas 5 mesinhas e uma máquina de raio-x. Aí chamam aquilo de TERMINAL 2. E vc, passageiro, fica lá sentado esperando. É o preço para se voar low-cost!!.
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sábado, 29 de dezembro de 2007
Natal Italiano
Ser bem recebido tinha um conceito diferente antes dos 3 dias que passei em Reggio di Calabria, no Sul extremo da Itália. Na verdade, foi ainda mais ao sul, porque a cidade se chama Condofuri Marina.
A refeição natalina começou dia 23 e terminou no dia 25 de noite. Quase non- stop com coisas deliciosas pra comer.
Os moldes da refeição são geralmente assim:
Antepasto, Primo, Secondo, Fruta, Doce, Café (tem mistura de português e italiano na frase mesmo ok?).
O Antepasto é alguma coisa simples, como uns queijos, azeitonas etc., nenhuma novidade pra nós brasileiros. O primo, por sua vez, é alguma coisa diferente. Servido à base de massa, sempre, e com uma porção que normalmente já equivale a um almoço. O Secondo é carne (também em grandes porções) e geralmente acompanhado da salada (italiano come salada no final da refeição).
As frutas (típicas da região e principalmente cítricas) são servidas em um grande cesto. As "clementinas" são ótimas porque não passam de miniaturas de poncãs sem semente. Finalmente, quando se pensa que já acabou, servem um doce e oferecem café.
Finalmente, A Ceia de Natal:
Começa-se cedo, por volta de 20:00, e ficamos à mesa até por volta de 23:00. Tudo isso com aquele fluxo de coisas boas pra comer diretamente do forno. O mais diferente que notei foram os pratos à base de peixe e frutos do mar. Não foi servido tender, peru ou qualquer coisa desse tipo.
O almoço de Natal, ao invés de contar com sobras do dia anterior, contou com uma nova carne, dessa vez de cordeiro, muito macia.
As sobras serviram para o pequeno lanche da noite do dia 25. O "petisco" que fizemos foi tão completo quanto um lanche caseiro do Brasil. O famoso "Lanche Festivo".
O Sul da Itália. O povo do sul da Itália é muito acolhedor e eles fazem o possível e o impossível para deixar os hóspedes confortáveis. Se você é hóspede, será bem tratado e, via de regra, será servido. Ou seja, não lava louça, não tira a mesa, não põe a mesa e tudo o mais que se oferece normalmente pra fazer e dar um ajuda.
Só tenho a agradecer pelo excelente Natal que passei no Sul da Bota.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Pizza
A famosa Pizza Italiana!!! Muita gente espalha pelo Brasil que a nossa é melhor, que os italianos inventaram mas não fazem tão bem etc.
Bom, cada um gosta de uma coisa, mas que são diferentes (e muitos boas) isso são!
Inicialmente, os sabores que temos no Brasil mudam muito. Margherita, por exemplo, só conta com a folha de manjericão no sul da Itália (ainda a confirmar). Aqui seria o equivalente a pedir uma pizza de mozzarella (ou mussarela em brasileiro*) entre outros.
Mas vamos às diferenças reais da pizza em si:
Massa
Eles valorizam muito a massa, talvez pela tradição das "pastas" italianas. A massa é ligeiramente mais fina que a do Brasil e é muito gostosa, quase sempre crocante e sem o gosto de queimado freqüente nas pizzas tupiniquins. Sempre fica menos esfarelada. Difícil de explicar na verdade.
Recheio
Aí entra realmente o que mais choca os brasileiros: pouco queijo. Estamos acostumados a pedir uma pizza de mussarela e receber um círculo de mais ou menos uns 45cm de diâmetro com muito queijo derretido em cima. Aqui o valor maior é o molho de tomate. A Margherita deles é um círculo coberto de vermelho e pontos brancos. O vermelho é o molho (delicioso) de tomate e o branco, a mussarela.
Tamanho
A pizza aqui também não é como a normalmente servida nas pizzarias brasileiras. Tem um tamanho reduzido. Individual. Servida num prato grande mas que uma pessoa come sozinha.
Além disso, aqui nunca vi pizza com borda recheada, talvez porque não se encontre catupiry.
Eu não entro no mérito de qual pizza é melhor porque gosto das duas. E daqui a poucos dias vou experimentar a pizza napolitana. Essa dizem que é campeã!!! Veremos!
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sábado, 22 de dezembro de 2007
Cadeira de Rodas
Ônibus não muito cheio, pessoas sentadas e lugares vazios. Uma mulher estava com seu bebê em um carrinho e ocupava a vaga central do meio de transporte, a mesma designada e reservada a pessoas com mobilidade reduzida e/ou que usem cadeira de rodas.
O bom senso, que não tem tradução em italiano (pelo menos que eu conheça), indica que, quando não houver nenhum passageiro nas condições descritas acima, tais assentos podem ser utilizados livremente.
Em uma das paradas, uma mulher empurrava seu filho, em uma cadeira de rodas, pra dentro do ônibus, depois da ajuda da motorista (sim, mulher motorista de ônibus e desceu pra instalar a rampa pra cadeira de rodas). Prontamente, desocupei meu assento, dando lugar para a mãe do bebê, permitindo que ela movesse o carrinho onde ele dormia e deixasse livre a área designada para a cadeira de rodas. O carrinho enganchou, elas soltaram e, assim que liberaram o local, a passageira que empurrava a cadeira de rodas disse:
- Eh, aqui é o local para "disabili*"!! - Fazendo questão de pronunciar em alto e bom tom sua indignação por não ter encontrado o lugar livre dentro do ônibus.
*algo como handicapped em inglês e deficiente em português.
A moça que se prontificou a liberar o local tão logo viu a cadeira de rodas do garoto (e eu garanto, foi antes de abrir a porta do ônibus) ficou inconformada. Mesmo fazendo tudo certo ainda levou bronca.
Tá certo que é raro alguém aqui ceder lugar para idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou mesmo para mulheres gestantes (aliás, eu nunca vi uma mulher grávida desde que cheguei aqui... interessante isso...), mas nesse caso todos tentaram ajudar.
É incrível que, quando você pensa em ajudar alguém, é melhor ter certeza de que a única pessoa que vai se sentir bem com isso é você mesmo. Não espere ser valorizado. Eu mesmo já cansei de deixar o meu lugar para outras pessoas sentarem no ônibus e nunca receber nem mesmo um obrigado.
O cúmulo foi, relato de um amigo não verificado, quando ele ofereceu seu lugar a uma senhora e ela imediatamente colocou o cachorro (pequeno) sentadinho no banco do ônibus. É cada uma.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Posso ajudá-lo [a furar a fila]?
Já escrevi uma vez falando sobre filas e também já postei falando mais ou menos como funcionam atendimentos em geral. Agora o post é combinado, mas a situação é adversa também. A fila e o atendimento estão ligados.
Cheguei na papelaria para comprar um envelope e tinha uma pessoa na minha frente sendo atendida. Eu ainda insisto na teimosia de esperar e formar um fila, mesmo sabendo que não adianta pra nada.
Aí chegou minha vez, a atendente gentilmente perguntou: "Como posso ajudá-lo?" para o infeliz que estava atrás de mim. Como todo cidadão civilizado, seria natural esperar que ele, também gentilmente, comunicasse: "Ele estava na minha frente". Obviamente isso não teria virado um post para o blog se esse fosse o desfecho da história, portanto, o que ele fez?
Ele começou a pedir as coisas que queria. Eu fiz aquela cara de poucos amigos, olhei pra trás, resmunguei alguma coisa e a atendente se virou pra mim perguntando se eu já tinha sido atendido.
Simulando um comportamento italiano, respondi secamente: "Não, por isso estou na fila, gostaria, por favor, de um envelope". Ela me atendeu e pediu desculpas (pro infeliz que estava atrás de mim, não pra mim, que tinha sido deliberadamente ignorado).
Pois é. Se consegue, mas é uma selva! Respeito raramente é demonstrado por aqui mesmo, especialmente e principalmente com consumidores. Ah Procon, como faz falta poder usar seu nome por aqui.
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Negócios
Imagino que alguma notícia sobre a falência e recuperação financeira da Alitalia, companhia aérea de "bandeira" italiana (A que representa o país), tenha aparecido nos jornais brasileiros. Caso não tenha acontecido, o resuminho é mais ou menos esse:
A Alitalia é do Governo Italiano (preciso continuar?) e está falindo. Má administração, enrolação, leis conflitantes e muita gente com vontade de botar a mão no bolo.
O caminho natural é a recuperação. O Governo tem recebido propostas e deverá analisá-las para dar uma resposta até o meio de janeiro. O prazo atual (meio de janeiro) é o quarto ou quinto estabelecido pelo "agilíssimo" governo.
Desde o ano passado os prazos são estabelecidos e sistematicamente ignorados, atrasando ainda mais a decisão sobre quem ficará com a companhia. O interessante é que existem, no momento, duas propostas concretas:
1 - AirOne e Banca San Paolo, o que manteria a Alitalia na mão de um italiano
2 - AirFrance (seria como se as Aerolineas Argentinas comprassem a VARIG ou a Air Canada comprasse a American Airlines).
Não sai da minha cabeça que esses adiamentos ocorrem porque a proposta dos franceses (que devo dizer, dão um show de competência e excelência no serviço) é infinitamente superior à dos italianos. Mas o orgulho nacional (que ainda existe, apesar daquela reportagem do NYTimes que comentei outro dia) é grande demais pra vender a companhia pros franceses.
Resultado: Dá pra confiar quando um italiano fala, numa reunião de negócios, que "vai te dar uma posição sexta-feira"? Talvez até dê, mas a julgar pela postura dos representantes do povo (sim, os políticos representam o povo), não se pode levar a sério praticamente nada do que diz um italiano sobre prazos, negócios e compromissos.
Enquanto isso a Alitalia voa, batendo asinhas como pode.
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