Já escrevi uma vez falando sobre filas e também já postei falando mais ou menos como funcionam atendimentos em geral. Agora o post é combinado, mas a situação é adversa também. A fila e o atendimento estão ligados.
Cheguei na papelaria para comprar um envelope e tinha uma pessoa na minha frente sendo atendida. Eu ainda insisto na teimosia de esperar e formar um fila, mesmo sabendo que não adianta pra nada.
Aí chegou minha vez, a atendente gentilmente perguntou: "Como posso ajudá-lo?" para o infeliz que estava atrás de mim. Como todo cidadão civilizado, seria natural esperar que ele, também gentilmente, comunicasse: "Ele estava na minha frente". Obviamente isso não teria virado um post para o blog se esse fosse o desfecho da história, portanto, o que ele fez?
Ele começou a pedir as coisas que queria. Eu fiz aquela cara de poucos amigos, olhei pra trás, resmunguei alguma coisa e a atendente se virou pra mim perguntando se eu já tinha sido atendido.
Simulando um comportamento italiano, respondi secamente: "Não, por isso estou na fila, gostaria, por favor, de um envelope". Ela me atendeu e pediu desculpas (pro infeliz que estava atrás de mim, não pra mim, que tinha sido deliberadamente ignorado).
Pois é. Se consegue, mas é uma selva! Respeito raramente é demonstrado por aqui mesmo, especialmente e principalmente com consumidores. Ah Procon, como faz falta poder usar seu nome por aqui.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Posso ajudá-lo [a furar a fila]?
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Palpiteiros
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Sbrubbles
Entrar numa fila tem a única concepção de procurar a última pessoa na ordem de chegada e me colocar logo atrás, esperando que todos façam o mesmo. Questão de respeito, quem chegou antes, entra antes.
Não preciso dizer que aqui não funciona assim. Ontem mesmo eu estava na padaria (sempre ela) procurando pãozinho pra comer de noite, mas descobri que ele acaba muito antes do que eu imaginava. A minha descoberta ocorreu, obviamente, depois que um senhor entrou na padaria e passou na minha frente como se eu não existisse. Comportamento esse que foi adotado também pela atendente, que tinha me vista ali mas resolveu atendê-lo antes.
Quando eu vejo uma fila eu ainda tenho o péssimo costume de ir até o final dela. Mas estou mudando! O dizer: “Se você está em Roma, faça como os romanos” é muito bem pensado. E sabe que comecei a ser até mais respeitado por fazer isso?
É verdade que não posso sempre furar a fila, mas sempre que posso eu furo sem me sentir mal! É uma experiência muito gratificante, deixa um pouco mais leve.
Por exemplo, na fila pra entrar no restaurante universitário, é fácil, é só se colocar conversando com um amigo mais ou menos no meio dela e, conforme for andando, você vai andando junto e pronto, passou. No supermercado, por exemplo, não dá. O que eu faço quando alguém tenta passar à minha frente é dizer que eu estava naquele lugar. A pessoa resmunga (normalmente bem alto), mas sai e eu me torno o centro dos olhares. Imagino o que passa pela cabeça das pessoas: “Que absurdo ele seguir a fila... onde já se viu?”.
Acho que, pra fechar e ilustrar o exemplo: Imagine que alguém chega pra você e fala que, a partir daquele momento, você deverá fazer sbrubbles. Você faz idéia do que seja isso? Não? Pois é... É o som que faz a palavra “fila” quando se fala italiano. Qual será a palavra equivalente no Brasil?
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Palpiteiros
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