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sábado, 16 de fevereiro de 2008

Sustento

É impressionante como as coisas por aqui funcionam estranhamente. As lojas ficam abertas algumas poucas horas por dia, o atendimento é péssimo e todo mundo parece aceitar isso. Quero dizer, se você vai a uma loja, é mal atendido e reclama, eles defendem o atendente dizendo que o trabalho é pesado.

Trabalho pesado??? Eles encaram mais como se fosse um favor do que um trabalho. Veja bem, se o caso de uma loja que abre em horário contínuo, de manhã até de noite, não é revoltante:
Você entra em uma loja e gostaria de olhar algumas peças de roupa, e se dá conta de que não está na Arara designada. Vai até o atendente (primeiro descobre quem é, já que raramente eles se apresentam) e pergunta pelo tamanho correto:
- Por favor, gostei daquele casaco mas gostaria de provar o tamanho M.
- Deve estar logo ao lado - virando pra continuar a conversa com o/a colega.

E você, cliente, fica ali, jogado.

O que acontece pra que as pessoas atendam tão mal? Honestamente, eu não sei. Sei que o atendente não nenhuma motivação pra atender bem. Se ele for demitido, fatalmente existe algum auxílio do governo pra que ele continue ganhando dinheiro sem fazer nada.

Aqui é assim, você não tem emprego, você ganha do governo zilhões de facilidades pra continuar não fazendo nada. O correto seria que o governo ajudasse na procura de um emprego.

A visão relativamente socialista é difundida demais por aqui. Vira e mexe tem um sujeito distribuindo panfletos da "Luta Comunista" dentro do Politecnico. Ele, devidamente vestido com suas roupas de marcas capitalistas, pregando a luta comunista.

O que falta, na verdade, ao italiano médio, que não sabe nem mesmo onde fica a cidade de "Den Haag" ou Haia, em português ou ainda mais fácil, onde fica a cidade de Santiago (não de Compostela), é lógica. Lógica deturpada, que permite o cancelamento de uma festa de Ano Novo, que permite que se furem filas sistematicamente.

E quem arruinou a Itália? Eu continuo perguntando.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Posso ajudá-lo [a furar a fila]?

Já escrevi uma vez falando sobre filas e também já postei falando mais ou menos como funcionam atendimentos em geral. Agora o post é combinado, mas a situação é adversa também. A fila e o atendimento estão ligados.

Cheguei na papelaria para comprar um envelope e tinha uma pessoa na minha frente sendo atendida. Eu ainda insisto na teimosia de esperar e formar um fila, mesmo sabendo que não adianta pra nada.

Aí chegou minha vez, a atendente gentilmente perguntou: "Como posso ajudá-lo?" para o infeliz que estava atrás de mim. Como todo cidadão civilizado, seria natural esperar que ele, também gentilmente, comunicasse: "Ele estava na minha frente". Obviamente isso não teria virado um post para o blog se esse fosse o desfecho da história, portanto, o que ele fez?
Ele começou a pedir as coisas que queria. Eu fiz aquela cara de poucos amigos, olhei pra trás, resmunguei alguma coisa e a atendente se virou pra mim perguntando se eu já tinha sido atendido.

Simulando um comportamento italiano, respondi secamente: "Não, por isso estou na fila, gostaria, por favor, de um envelope". Ela me atendeu e pediu desculpas (pro infeliz que estava atrás de mim, não pra mim, que tinha sido deliberadamente ignorado).

Pois é. Se consegue, mas é uma selva! Respeito raramente é demonstrado por aqui mesmo, especialmente e principalmente com consumidores. Ah Procon, como faz falta poder usar seu nome por aqui.