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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Trabalhe na Itália!

Venham todos pra cá, é o melhor lugar pra trabalhar que existe.
O leitor regular se pergunta se é o mesmo autor dos outros posts... Eu garanto que sou eu mesmo. Mas aqui o equema é bom porque ter um emprego está muito, mas MUITO longe de significar que você precisa trabalhar.

Ontem fomos a uma joalheria. A Carol, minha namorada, precisa ajustar o tamanho de um anel que ela comprou e iríamos então perguntar o preço e os detalhes. Tocamos a campainha (fica trancada a porta) e ela magicamente se abriu.

Ali dentro vimos que uma senhora no andar de cima (mezzanino) fumava e falava ao telefone. Esperamos uns 2 minutos e nada de ela atender. Ficamos irritados e resolvemos sair. A porta trancada. Aí olhei pra cima e falei "Desculpe". Ela mais do que rapidamente pediu pra pessoa no outro lado da linha aguardar um instante e perguntou:
- Vocês precisavam de alguma coisa?
- Sim, eu preciso saber quanto custa pra ajustar esse anel.
- Ah, a vendedora só chega umas 15:30 (Eram 14:00).

Aí a gente se irritou com a preguiça da infeliz senhora e falamos:
- E o que estamos aqui fazendo esperando?
Ela responde, italianamente:
- Eh... Abro a porta pra vocês.

Não é o cúmulo do absurdo? A mulher abre a porta e não atende os próprios clientes. Ela nem assimila nossa chegada com um "Um momento". Cada dia que passa esse descaso irrita ainda mais.

A impressão é de que ao entrar numa loja pra fazer compras, os vendedores estão te fazendo um favor ao atender. E sabe o que é pior? Todo mundo que enfrenta isso aqui nesse país acha "charmoso".

Como é charmoso ser burocrático, demorado, enrolado. Como é charmoso ter um presidente que não estudou direito, deputados corruptos e péssimo atendimento em setor público. Esse parágrafo fala do Brasil... Pra se tornar a Itália basta acrescentar: péssimo atendimento no setor público E privado.

Sem mais

sábado, 12 de janeiro de 2008

RH de uma empresa

Tenho uma amiga que começou a trabalhar no final do ano passado como estagiária, logo depois de se formar em Torino. A empresa ofereceu um trabalho de 40 horas semanais por um valor que eu considero baixíssimo. Só não vou escrever aqui sem a aprovação dela antes.

Em novembro, o RH da empresa ofereceu a efetivação a partir de março de 2008, depois do período de estágio pra ela. Tudo muito interessante, com o diploma ela poderia ser uma funcionária e não estagiária etc.

O que acontece, agora, é que o RH da mesma empresa, a informou de que "eles não podem contratar estrangeiros" e que ela poderia ficar com estagiária, ganhando o mesmo ínfimo salário que não paga nem aluguel + contas.

O cúmulo da burrice (sim, porque nesse caso não tem outra palavra) é o RH da empresa não saber das regras do próprio país em que está localizado. A Itália quer italianos trabalhando e permite que, uma vez por ano, as empresas apresentem pedidos para contratação de estrangeiros. Basicamente, se você for uma empresa e quiser contratar alguém muito competente que não seja Europeu, é uma vez por ano a chance de fazer isso, senão você fica obrigado a contratar um italiano menos competente.

O comentário que me vem na cabeça é uma sensação que tenho de vez em quando aqui e que faz muito mal: Ser estrangeiro aqui é uma humilhação muito grande. Você se sente pequeno, inútil, desrespeitado, um verdadeiro lixo. É isso que eu acho que o brasileiro oferece muito bem ao mundo: Calor humano de boas vindas.

E não é o caso de tirar um passaporte daqui não, é o caso de não ser parte disso aqui, de não se sentir em casa. De uma condição de temporário em um lugar.

Sinto muito por essa minha amiga, que vai embora pro Brasil com raiva (e com razão) e perderemos sua companhia aqui. É o anto-semitismo [burocrático] italiano mostrando as garras.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Corporações na Itália

Moro num país com particularidades, tão fortes que às vezes até mesmo grandes corporações consagradas por seu atendimento padronizado em todo o mundo são atingidas pelo modo italiano de ser, pensar e agir.

O McDonald's é uma delas. Lembram-se que a máquina que faz Milk-Shakes estava quebrada? Pois é, arrumaram. A idéia era, então, comer a promoção do McMenu e trocar o refrigerante pelo Milk-Shake, todos sairiam felizes. Fácil demais pra ser possível aqui.

"Sinto muito, não fazemos a troca do refrigerante pelo Milk-Shake". Eu perguntei o motivo e recebi a seguinte explicação: "Nós somos franqueados McDonald's Italia e as diretrizes não nos permitem fazer essa troca, cada país tem o seu grupo de diretrizes". Claro, Napoli deve estar em outro país pois lá foi perfeitamente possível trocar a Coca-cola pelo Milk-Shake.

Pelo menos o lanche especial é feito aqui.

O capitalismo ainda não se instalou bem aqui. Desde Mussolini existe um campo de força que impede as empresas italianas de prosperar. Que impede o mercado de livre concorrência na península. Basta ver a quantidade de empresas bem sucedidas e a oferta de emprego comparada entre Itália e Alemanha, por exemplo. Empregos na Europa mudam de país pra país, mas esses dois eu tenho dados bem aproximados:

Alemanha:
Empregos, nem estão se dando ao luxo de exigir fluência em alemão de candidatos estrangeiros, basta estar disposto a aprender.

Itália:
Se quiser, o salário inicial é de €400/mês. E só começa a ser pago depois de 2 meses de experiência grátis. O aluguel de um apartamento aqui começa em €300, e com €100 não se pagam todas as contas.

Isso que eu to falando é pra um engenheiro. Imaginem só outras áreas?