Eu realmente fico impressionado com a capacidade que temos em demorar pra perceber algumas coisas e a velocidade com que nos damos conta de outras.
A Itália é o país conhecido pela sua pizza, correto? Pois é, nada melhor do que eles mesmos, italianos, pra pensarmos um pouco sobre a origem da expressão "Acabou em pizza". Eu não sou lingüista ou coisa parecida (embora saiba que ainda se usa trema. Pois é, podem espernear, mas ainda se usa) mas tenho liberdade pra pensar nisso.
Aqui as coisas funcionam muito mal, em geral. A criminalidade só é menor que no Brasil porque o governo é muito assistencialista. E via de regra, quem comete crime aqui acaba preso ou deportado. A quantidade de imigrantes ilegais criminosos é grande mesmo.
Bom, vejam só que exemplos banais e comentáveis:
- O país está sem um primeiro ministro. Ele renunciou porque o Senado não deu o voto de confiança que ele precisava. O que vai acontecer? Dizem que farão uma nova lei eleitoral, novas eleições só depois, que o Berlusconi volta. Eu digo: PIZZA!!!
- Alitalia sendo vendida. A companhia está falida, o aeroporto de Milão/Malpensa é um dos piores aeroportos que existem porque fica simplesmente longe de tudo. O governo precisa vender a Companhia, privatizar pra que ela possa continuar levando a bandeira da Itália mundo afora (fingindo que o país merece ser bem representado fora. O Procon mundial deveria aplicar uma multa por propaganda enganosa). Eu digo: PIZZA!
Percebe-se que a península é o país da Pizza por vários motivos. Dois deles eu coloquei acima. Ah, e se alguém pensa que a Itália está prosperando, leia melhor a parte internacional do jornal. Napoli está se afogando em lixo. A última manchete que eu vi dizia algo em torno de 7 mil toneladas de lixo pela rua (falta de aterro). A economia está praticamente estagnada (como a da França) e a política é tão ruim ou pior que no Brasil.
O que a gente faz numa situação assim? Eu, que aqui sou estrangeiro, dou risada, mas quando chegar no Brasil, ah... Eu vou comer a boa e velha Pizza!
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Tudo acaba em Pizza
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Palpiteiros
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Europa? Prosperidade?
Há muito eu tenho percebido e escrito (principalmente falado) sobre os problemas italianos e sobre as características muito peculiares do país. Adotando a filosofia de mostrar os problemas de maneira bem humorada, fazendo com que as pessoas vejam que nem tudo são flores no continente europeu ou, pelo menos, em uma país que se diz parte da Europa.
O Jornal "New York Times" publicou, hoje, uma reportagem cujo título é "Mais velha e mais pobre, a Itália está em depressão". O único ponto contra é que é restrita a assinantes do portal hospedeiro. Vou passar algumas das idéias aqui:
Política
A política aqui é muito burocrática, obscura até. Pois os dados não mentem: A Itália possui a maior frota de veículos públicos (usados exclusivamente por autoridades) com motoristas. Os legisladores italianos são os melhor remunerados da Europa.
Tecnologia
Aqui a citação é direta, ele falou tudo:
"O modo de vida de baixa tecnologia da Itália pode seduzir os turistas, mas o uso da Internet e do comércio eletrônico aqui estão entre os mais baixos da Europa, assim como os salários, investimento estrangeiro e o crescimento. As aposentadorias, a dívida pública e o custo do governo estão entre os mais altos."
Gastos inúteis
"Mesmo a presidência, considerada acima da confusão, não foi poupada; o livro [O Castelo] apontou o custo anual do gabinete em US$ 328 milhões, quatro vezes o do Palácio de Buckingham." E olha que a rainha não tem um estilo de vida exatamente "discreto". Sua segurança é muito presente. O presidente da república italiana gasta 4 vezes mais que a rainha.
A lista continua mas eu não posso copiar e colar tudo, seria plágio. O texto está muito bem escrito e reflete, de uma maneira sustentada em dados, os outros posts que eu tenho no Blog. Obviamente os meus são baseados em experiências vividas, que compõem o problema maior ilustrado por Ian Fisher, autor.
A impressão que eu tenho não é isolada, a questão é que a união de alguns fatores, especificamente a baixa "conectividade" dos italianos os impede de enxergar, talvez, mais a fundo. É difícil achar um bom telejornal na Itália. Os jornais gratuitos, com notícias pela metade ou com reputação duvidosa existem às toneladas, inclusive na porta da Universidade, e quase todo italiano pega um. A maioria deles o descarta (no chão ou deixa na mesa) logo após terminar o Sudoku ou a Palavra Cruzada. Ei, não são todos! Eu estudo com um grupo de pessoas que faz parte de uma elite intelectual. O Politecnico di Torino é uma das instituições de excelência européias.
Agora, uma coisa que, infelizmente, parece que o brasileiro não aprende, assim como o italiano: Apatia política não leva o país pra frente, ao contrário, favorece a manipulação e a crise.
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Palpiteiros
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