É comum no período de provas das Universidades Italianas vermos um aglomerado de gente nas salas de estudos e bibliotecas estudando. Aliás, é comum vê-los estudando sempre. Na época das provas cresce o desespero e a dedicação com preparação de papéis com cola e outras coisas.
O ponto interessante e culturalmente diferente no entanto não é esse. O que eu queria mesmo ressaltar é como eles se saúdam antes das provas. Ninguém fica falando boa prova, boa sorte, vá tranqüilo. O normal é usar uma expressão idiomática aqui que, traduzida ao pé da letra que dizer: na boca do lobo.
Isso mesmo, "In bocca al lupo" é a frase dita para um infeliz candidato a uma prova.
Tentando entender o que isso quer dizer (porque eles mesmos não sabem explicar) cheguei à conclusão de que eles querem dizer que você está ferrado. Por exemplo, vou entrar para uma prova que eles sabem que é difícil e, então, me lançam a frase. Desavisado, eu agradeço, sem entender. Aí eles falam muito alto (aliás, não só nessa hora):
"Mas não se diz obrigado pra 'in bocca al lupo'!!!".
Claro, eu como estrangeiro já teria que saber disse há séculos!!! Mas eu ainda pergunto o motivo, e a resposta é tão esclarecedora quanto objetiva:
"Se diz 'crepi'!".
A resposta, amigos, é ainda mais intrigante. Não basta o lobo estar te abocanhando, mas você ainda deve destruí-lo. A versão educada de "crepi" seria "às favas". Não vou traduzir o que realmente se quer dizer, mas basicamente se diz que vai acabar com o lobo.
Terça-feira tenho prova, portanto, "crepi" pra todos os que me fizerem o "in bocca al lupo".
domingo, 20 de janeiro de 2008
Faça uma boa prova!
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Palpiteiros
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Labels: Politecnico di Torino, Prova
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
A verdade nua e crua
Imaginem um jogo da Mega-Sena, onde você deve marcar 6 números e acertar 4, 5 ou 6 pra ganhar alguma coisa. Agora imaginem que você tem certeza que acertou apenas 2 (por algum motivo, dá pra saber). Quando sai o resultado, não são divulgados os números sorteados mas a lista de nomes e de quantos números cada um acertou, em uma escala de 0 a 30.
A semelhança com o sistema de avaliação da Itália é grande. Não estou falando da Lotto italiana, mas sim das provas no Politecnico di Torino. A prova teste de quarta-feira passada possuía 14 questões com respostas de múltipla escolha. Com base no que eu sabia, consegui responder apenas 4 questões e chutei o resultado das outras. Para alcançar a nota mínima, eu deveria acertar 9 questões.
Chutando mais 8 respostas e deixando 2 em branco, consegui tirar a seguinte nota: 20 (de 30 possíveis). Alguns fatores pelo qual essa nota seria impossível de tirar:
1 - Tendo respondido 12, minha nota máxima seria 25,7.
2 - Ter tirado a nota 20 significa que acertei 9,77 questões, das 14.
1+2 - Significa que errei 2,23 questões entre as 12 que respondi.
3 - Prova "teste" não tem meio certo.
Eu acho muito difícil que eu tenha acertado os 10 testes necessários (porque ninguém acerta parte de testes), mas consegui o 20. Longe de mim reclamar, é mais uma prova que tiro do meu caminho, mas que é estranho é.
O que me intriga ainda mais é que na avaliação objetiva, quero dizer, naquela em que o professor olha pra um X no gabarito, compara com o gabarito certo dele, e vê se acertei ou não, ele consegue atribuir uma nota impossível de ser tirada (passa os alunos com nota baixa). Quando a avaliação é subjetiva, nas provas orais, onde ele poderia fazer o mesmo, ele age com objetividade e NÃO passa às vezes.
Em tempo, tenho tido uns novos comentários por aqui e fico feliz de saber que tenho leitores. Espero de alguma forma estar contribuindo com a vida de todos, se não for fazendo rir, pelo menos passando um ponto de vista de como é viver e estudar na Europa.
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Palpiteiros
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