É comum no período de provas das Universidades Italianas vermos um aglomerado de gente nas salas de estudos e bibliotecas estudando. Aliás, é comum vê-los estudando sempre. Na época das provas cresce o desespero e a dedicação com preparação de papéis com cola e outras coisas.
O ponto interessante e culturalmente diferente no entanto não é esse. O que eu queria mesmo ressaltar é como eles se saúdam antes das provas. Ninguém fica falando boa prova, boa sorte, vá tranqüilo. O normal é usar uma expressão idiomática aqui que, traduzida ao pé da letra que dizer: na boca do lobo.
Isso mesmo, "In bocca al lupo" é a frase dita para um infeliz candidato a uma prova.
Tentando entender o que isso quer dizer (porque eles mesmos não sabem explicar) cheguei à conclusão de que eles querem dizer que você está ferrado. Por exemplo, vou entrar para uma prova que eles sabem que é difícil e, então, me lançam a frase. Desavisado, eu agradeço, sem entender. Aí eles falam muito alto (aliás, não só nessa hora):
"Mas não se diz obrigado pra 'in bocca al lupo'!!!".
Claro, eu como estrangeiro já teria que saber disse há séculos!!! Mas eu ainda pergunto o motivo, e a resposta é tão esclarecedora quanto objetiva:
"Se diz 'crepi'!".
A resposta, amigos, é ainda mais intrigante. Não basta o lobo estar te abocanhando, mas você ainda deve destruí-lo. A versão educada de "crepi" seria "às favas". Não vou traduzir o que realmente se quer dizer, mas basicamente se diz que vai acabar com o lobo.
Terça-feira tenho prova, portanto, "crepi" pra todos os que me fizerem o "in bocca al lupo".
domingo, 20 de janeiro de 2008
Faça uma boa prova!
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Palpiteiros
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terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Direto e reto
Me avisaram que o italiano tem um jeito bem direto de ser, isto é, responde às perguntas sem pensar que poderia dar um esclarecimento para resolver um eventual problema. Ou seja, se você perguntou pra ele se "naquele ponto passa o ônibus que vai para a Praça do Castelo" ele vai se limitar a responder "sim" ou "não". Mesmo que saiba exatamente qual é o ônibus correto, se ali não for o local, você corre o risco de gastar mais uma pergunta: "E onde devo pegar tal ônibus?".
O jeito direto e reto nas relações interpessoais, no entanto, não acontece somente nessas situações. Um excelente exemplo é o uso do e-mail. Para uma comunicação com professores, normalmente se usa um linguagem formal e uma introdução ao assunto, para que não fique um texto muito "seco".
Veja o exemplo abaixo:
De: Aluno
Para: Professor
Mensagem:
Prezado Professor,
No calendário consta que a prova da sua disciplina será no início de setembro. Como estarei no Brasil até o dia 4 daquele mês e chego em Torino no dia 5 no final da tarde, gostaria de saber quando será a prova para que possa organizar os estudos. Se possível, gostaria, também, de saber o horário e o local da prova.
Saudações,
Aluno
A resposta vem assim:
De: Professor
Para: Aluno
Mensagem:
[sem interlocutor] Dia 6, 9:30, biblioteca do departamento. [sem assinatura]
Como o meu vôo chegaria no final da tarde, procurei saber se, caso ocorresse um atraso, se eu poderia fazer a prova excepcionalmente em uma data posterior, de acordo com a disponibilidade dele:
Mensagem:
Prezado Professor,
Como estou sujeito a um eventual atraso, gostaria de saber se essa é a última data disponível para realização da prova?
Obrigado novamente,
Aluno
Resposta:
[sem interlocutor] "Sim" [sem assinatura]
Eu não posso reclamar que ele não respondeu minha(s) pergunta(s), mas poxa, custava falar algo do tipo: "A data é essa, mas se ocorrer algum problema, entre em contato assim que possível e veremos se é possível fazer alguma coisa". Até hoje, de todos os e-mails trocados com italianos, 10% têm mais de uma linha na resposta. Menos ainda têm o nome da pessoa no corpo da mensagem ou letras maiúsculas de acordo com a regra gramatical. Outro exemplo:
"oi estou aqui no laboratório terminando o texto pra entregar. amanhã levo para você ver. tchau"
Não é economia de linha, é uma tradução quase exata!
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Palpiteiros
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