Imaginem um jogo da Mega-Sena, onde você deve marcar 6 números e acertar 4, 5 ou 6 pra ganhar alguma coisa. Agora imaginem que você tem certeza que acertou apenas 2 (por algum motivo, dá pra saber). Quando sai o resultado, não são divulgados os números sorteados mas a lista de nomes e de quantos números cada um acertou, em uma escala de 0 a 30.
A semelhança com o sistema de avaliação da Itália é grande. Não estou falando da Lotto italiana, mas sim das provas no Politecnico di Torino. A prova teste de quarta-feira passada possuía 14 questões com respostas de múltipla escolha. Com base no que eu sabia, consegui responder apenas 4 questões e chutei o resultado das outras. Para alcançar a nota mínima, eu deveria acertar 9 questões.
Chutando mais 8 respostas e deixando 2 em branco, consegui tirar a seguinte nota: 20 (de 30 possíveis). Alguns fatores pelo qual essa nota seria impossível de tirar:
1 - Tendo respondido 12, minha nota máxima seria 25,7.
2 - Ter tirado a nota 20 significa que acertei 9,77 questões, das 14.
1+2 - Significa que errei 2,23 questões entre as 12 que respondi.
3 - Prova "teste" não tem meio certo.
Eu acho muito difícil que eu tenha acertado os 10 testes necessários (porque ninguém acerta parte de testes), mas consegui o 20. Longe de mim reclamar, é mais uma prova que tiro do meu caminho, mas que é estranho é.
O que me intriga ainda mais é que na avaliação objetiva, quero dizer, naquela em que o professor olha pra um X no gabarito, compara com o gabarito certo dele, e vê se acertei ou não, ele consegue atribuir uma nota impossível de ser tirada (passa os alunos com nota baixa). Quando a avaliação é subjetiva, nas provas orais, onde ele poderia fazer o mesmo, ele age com objetividade e NÃO passa às vezes.
Em tempo, tenho tido uns novos comentários por aqui e fico feliz de saber que tenho leitores. Espero de alguma forma estar contribuindo com a vida de todos, se não for fazendo rir, pelo menos passando um ponto de vista de como é viver e estudar na Europa.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
A verdade nua e crua
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Palpiteiros
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
30 e lode
O título é uma representação literal do maior desejo dos estudantes italianos. O mítico 30 e lode. Situando melhor: As notas das provas aqui variam entre 0 e 30, cuja mínima para aprovação é 18 e a máxima possível, quando se demonstra completo domínio do assunto, é o 30 com honras (lode).
A parte cômica é, no entanto, a quase obsessão deles por notas altas. Estudar na Itália é uma tarefa complicada para quem vem de uma cultura como a brasileira onde, quem é Politécnico sabe, o fato de ser aprovado na matéria já é a vitória. Aqui é diferente, valoriza-se a nota.
Na faculdade, muitos alunos depois de terminarem a prova oral (sim, oral) recebem a nota do professor. Suponhamos um 27. Isso pra mim equivale a 9, excelente nota para qualquer matéria que seja. Ele olha, pensa e RECUSA a nota. Isso quer dizer que ele não vai levar aquela nota e terá a chance de tentar de novo no próximo oferecimento da prova (em geral são 3).
Chega-se ao cúmulo de ocorrer um diálogo assim:
- Ah, quanto você tirou na matéria X?
- Tirei 25
- Poxa, sinto muito.
Sinto muito eu por você achar que isso é uma nota baixa. Eu fico imaginando um cara desse na minha faculdade no Brasil. Bom, isso seria um outro post.
Não é exagero meu não. A percepção de que o esquema decoreba predomina aqui não é só minha. Os estudantes brasileiros em geral percebem e, conversando com uma professora italiana, ela me fez ver dois problemas:
1- O italiano estuda menos pra aprender e mais pra ir bem, esquecendo quase tudo em pouco tempo;
2- Os países cujas empresas não exigem nota, mas exigem desenvoltura do candidato à vaga acabam sugando os cérebros italianos pra eles, deixando a Itália sem seus melhores profissionais.
A discussão toda pode se alongar demais, mas que o 30 e lode é uma palavra mágica e uma espécie de “falsa chave-mestra” isso é.
Além disso, com esse método decora-passa-esquece valorizado aqui por tantos professores, um curso de leitura dinâmica ou memorização talvez vendesse bem, muito bem. Slogan “30 e lode ou seu dinheiro de volta”.
Escrito por
Palpiteiros
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