Foi Mussolini? Os americanos? Os franceses? Foi a Segunda Guerra? Eu não sei, mas outro dia no ônibus tive um palpite que me leva a crer que nem eles mesmos querem ouvir a resposta certa, se é que existe uma.
Depois de esperar por 20 minutos no ponto do ônibus (deveria passar 1 a cada 7 minutos), uma senhora entrou e sentou-se ao meu lado, reclamando do momento em que o motorista chegou até praticamente quando ela saiu do ônibus (o trecho que ela andou tinha aproximadamente 1,4 km).
Ela começou com o discurso básico, que não se respeita mais, que não se passa mais ônibus como antigamente, que não tem o controle pesado dos horários que tinha antigamente. Ou seja, tudo ERA e nada É. Estou replicando traduzidas as palavras da tal senhora. Continuando o discurso, por uns 2 minutos eu ouvi quieto e concordei porque ela realmente tem razão quando diz que os horários são desrespeitados.
Aí resolvi lançar um comentário, bem direto, dizendo que também não existe um controle sobre quem comprou a passagem ou não.
Abre parêntese. Na Itália e também na Europa (eu separei os dois pra conseguir lidar com a vida aqui) não existe cobrador. Você compra a passagem e carimba numa máquina que está dentro do ônibus. Uma vez em um milhão aparece um funcionário que verifica se todos estão "legais".
Fecha parêntese.
A senhorinha desembestou a falar, que realmente se todos pagassem o serviço seria ótimo, isso, aquilo, assim e assado. A chave de ouro foi quando ela virou pra mim e, antes de sair, confessou sua verdadeira e preconceituosa/xenofóbica opinião.
2 definições:
Comunidade Européia (nem eles sabem exatamente quem são) mas a grosso modo são os países que compõem a União Européia... Vou deixar assim, sei que tá errado, mas basicamente é isso.
Extracomunitário: Qualquer um que não possua o passaporte vermelho ou cidadania européia: EU.
A opinião:
"Sabe... O problema são esses extracomunitários que nunca pagam as passagens e quem paga somos nós. Eu desço aqui, obrigada pela companhia."
O placar empatou. Me senti ofendido porque EU sempre paguei as passagens, ao contrário da massiva maioria dos brasileiros que chega aqui e quer dar uma de esperto. É a mesma cabecinha que faz o Brasil ir pro buraco, embora os foras-da-lei não assumam isso.
Me senti ao mesmo lisonjeado porque ela elogiou indiretamente meu nível de italiano. Não percebeu que eu estava no grupo dos famigerados extracomunitários que ela tanto odeia.
A verdade pela qual a Itália está arruinada (palavras de outro italiano, um senhor, que reclamava em voz alta no ônibus) eu não sei qual é, mas só consigo pensar numa coisa: A Itália é governada por italianos, eleitos por italianos.
Portanto, repetindo:
Quem arruinou a Itália?
Está aberta a discussão...
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Quem arruinou a Itália?
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Palpiteiros
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Labels: cidadania européia, passagem, transportes
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Crise ferroviária
Ninguém precisa ser expert em turismo pra saber que época de Natal e Ano Novo é alta temporada de viagens. Também não precisa ser expert em economia pra saber que invariavelmente as passagens aéreas (até mesmo as low cost) são caríssimas nessa época.
O prudente é comprar com antecedência, pra ser eficiente e conseguir assegurar um lugar no final do ano pra passar as festas. Eu escolhi o trem.
Situando: Plano de viagem de aproximadamente 1100Km entre Torino e Reggio di Calabria, na casa de uma amiga minha. Tudo acertado, vi os preços dos trens e fui tentar comprar a passagem pra dia 22 de dezembro. Eis que não existe o trem no site, nem mesmo um comunicado. Já acostumado com o esquema de não conseguir a informação sempre no lugar mais conveniente (no próprio site) fui até a estação.
Chegando lá, sou informado que os trens serão inseridos no sistema na segunda-feira dia 12 de novembro. Ah, pelo menos espero mais uns dias e chega a informação, que bom.
Dia 12: nada. 13: nada... 14, 15... 19 finalmente aparecem os trens. Fui até a estação comprar, no final da tarde, e os bilhetes esgotados. Poxa, vacilei, demorei, mas o funcionário me informa que ainda não foram inseridos no sistema todos os trens. Até o momento um mísero trem entre Torino e Reggio di Calabria.
Eu nunca me contento com meias explicações e hoje descobri o motivo pelo qual os trens ainda não estão no sistema. Pasmem: O Estado italiano ainda não fechou o contrato com a empresa que administra a rede ferroviária que, por sua vez, não pode fechar o contrato com a empresa que opera os trens. Sem o dinheiro do Estado para a primeira, a segunda não pode operar também. Ah bom, o governo está demorando mais do que o esperado pra fechar um contrato (quem nunca ouviu isso afinal?). O único problema é que tanto a empresa administradora da rede quanto a empresa que opera os trens SÃO ESTATAIS!
Essencialmente, é tirar dinheiro do bolso esquerdo e passar pro direito, pra depois colocar no bolso de trás! Claro, não sem antes gastar algumas centenas de páginas em papéis inúteis.
E assim caminha a humanidade, o Brasil com crise aérea, a Itália com crise ferroviária, a França com greve de transporte público há 8 dias (o país está parado). E viva a eficiência!
Escrito por
Palpiteiros
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