Mostrando postagens com marcador Viajar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Viajar. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Crise ferroviária

Ninguém precisa ser expert em turismo pra saber que época de Natal e Ano Novo é alta temporada de viagens. Também não precisa ser expert em economia pra saber que invariavelmente as passagens aéreas (até mesmo as low cost) são caríssimas nessa época.

O prudente é comprar com antecedência, pra ser eficiente e conseguir assegurar um lugar no final do ano pra passar as festas. Eu escolhi o trem.

Situando: Plano de viagem de aproximadamente 1100Km entre Torino e Reggio di Calabria, na casa de uma amiga minha. Tudo acertado, vi os preços dos trens e fui tentar comprar a passagem pra dia 22 de dezembro. Eis que não existe o trem no site, nem mesmo um comunicado. Já acostumado com o esquema de não conseguir a informação sempre no lugar mais conveniente (no próprio site) fui até a estação.

Chegando lá, sou informado que os trens serão inseridos no sistema na segunda-feira dia 12 de novembro. Ah, pelo menos espero mais uns dias e chega a informação, que bom.

Dia 12: nada. 13: nada... 14, 15... 19 finalmente aparecem os trens. Fui até a estação comprar, no final da tarde, e os bilhetes esgotados. Poxa, vacilei, demorei, mas o funcionário me informa que ainda não foram inseridos no sistema todos os trens. Até o momento um mísero trem entre Torino e Reggio di Calabria.

Eu nunca me contento com meias explicações e hoje descobri o motivo pelo qual os trens ainda não estão no sistema. Pasmem: O Estado italiano ainda não fechou o contrato com a empresa que administra a rede ferroviária que, por sua vez, não pode fechar o contrato com a empresa que opera os trens. Sem o dinheiro do Estado para a primeira, a segunda não pode operar também. Ah bom, o governo está demorando mais do que o esperado pra fechar um contrato (quem nunca ouviu isso afinal?). O único problema é que tanto a empresa administradora da rede quanto a empresa que opera os trens SÃO ESTATAIS!

Essencialmente, é tirar dinheiro do bolso esquerdo e passar pro direito, pra depois colocar no bolso de trás! Claro, não sem antes gastar algumas centenas de páginas em papéis inúteis.

E assim caminha a humanidade, o Brasil com crise aérea, a Itália com crise ferroviária, a França com greve de transporte público há 8 dias (o país está parado). E viva a eficiência!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Este lugar está vazio?

A pergunta pode parecer retórica, mas não é. Particularmente em alguns cenários. Vou ilustrar dois deles aqui.

Trem:

Viajar de trem tem todo aquele apelo romântico dos filmes, os campos verdes e as paisagens bucólicas e pastoris que só uma viagem sobre trilhos nos permite apreciar. Entra-se no trem e o vagão está até bem ocupado, pra cada assento livre, duas pessoas no trem. Aí eu paro ao lado de um assento livre, começo a tirar a mochila das costas e a pessoa se adianta a avisar: “Está ocupado”. Ligeiramente me movo dali pra um outro e, na terceira tentativa, acho o assento livre² (sim, ao quadrado, não basta não ter ninguem agora, não pode ter ninguém dali a alguns minutos também).

A mesma coisa pode ser aplicada às salas de aula. Você chega adiantado, mas pega o lugar no fundo, porque todos eles já estão ocupados. É uma espécie de coronelismo entre os mais fortes ou os que têm mais amigos ali dentro. Mas isso é outra coisa.

Ônibus (transporte coletivo):

Entra-se no ônibus, que está levando mais ou menos a lotação máxima de pessoas e casacos enormes de inverno (Cada pessoa ocupa um espaço equivalente a 1,5). É um enorme esforço pra passar da porta, já que todo mundo que vai descer na décima parada a partir dali já se prepara pra descer e fica bloqueando a entrada.

Como dizia... Entro ali, tanta gente em pé só pode significar uma coisa: Lotação total, vou ter que achar um local pra mim em pé. Surpreendentemente vejo um assento livre. Educadamente, ofereço à senhora ao meu lado se gostaria de se sentar e ela recusa, dizendo que já vai descer (na quinta parada a partir dali... mas isso é um relato futuro). Espero mais uns segundos e vejo que ninguém nem se manifesta, nem faz menção de pegar o lugar. Sento, leio minha revista, e saio.

Agora o que me intriga é, com tantos lugares livres-ocupados nos trens, porque os italianos não se sentam nos lugares livres-livres dos ônibus coletivos? Pior, mesmo com o ônibus vazio muitos viajam em pé (distâncias longas). Vai entender?