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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Eu sou chato e bato o pé

A frase do título é de um italiano, claro, traduzida...

Ontem uma amiga foi ao supermercado. Ela tinha uma certa quantidade de dinheiro na carteira e o cartão de crédito. Como a compra acabou ficando ligeiramente mais cara que o dinheiro que ela tinha, a primeira providência foi passar o cartão. A lesma* pessoa que estava atendendo no caixa não conseguiu concluir a transação (o mesmo cartão já tinha sido usado no mesmo estabelecimento).

A sugestão da atendente foi que ela sacasse o dinheiro no caixa eletrônico. O problema é que este saque custaria US$10 de taxa pela transação. Ao explicar isso pra atendente, ela simplesmente informou, portanto, que não podia fazer nada (claro, seria exigir demais dela...).

Nossa amiga então tomou uma decisão razoável, propôs a retirada de 3 produtos da compra para que o dinheiro fosse então suficiente para pagar e tudo se resolvia. Novamente a bolha da* atendente não quis fazer isso, dizendo que não podia tirar os produtos (em tempo, quando ela passa um produto a mais, sempre retira ele imediatamente depois).

O resultado da história foi uma demora de uns 5 minutos até nossa amiga finalmente ceder e sacar o dinheiro, levando um enorme prejuízo. Ah, a fila ficou parada esse tempo todo.

Olha, se existe um local no mundo onde podemos dizer que é o inferno na Terra, realmente a Itália está em campanha pra ser a sede.

*Gostaria de pedir desculpas às lesmas e às bolhas por lhes atribuir injustamente tamanha insignificância e incompetência. Até o presente momento, não encontrei lesmas e bolhas que merecessem tamanho demérito. O conteúdo do texto foi revisado em respeito a essas duas categorias e o autor espera que quaisquer mal-entendidos tenham sido esclarecidos.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Alitalia em naufrágio

Leitores, sei que o post de ontem já falou de Alitalia, mas ontem mesmo encontrei um BLOG italiano que estava refletindo sobre o caso. Para os que pensam que sou duro demais com os italianos, vejam a opinião de um próprio. Um raro exemplo de cabeça que pensa fora da caixa. Traduzi diretamente do site dele. O impressionante é a similaridade da opinião do autor com a minha.

"Existe um país que parece ter sido feito propositalmente para ter uma companhia aérea voando. Tem 60 milhões de habitantes e uma formação natural que faz do vôo o modo de transporte preferível a qualquer outro. É bonito, assim os turistas de todo o mundo o consideram um destino privilegiado. Se encontra no centro do Mediterrâneo, entre o Leste e o Oeste, entre Norte e Sul. Como é possível, então, que sua companhia aérea esteja naufragando?

Simplicíssimo: Entre suas numerosas e valiosas especialidades, os habitantes deste país possuem uma deletéria: consideram as empresas como institutos de beneficência. As suas empresas são todas voltadas a elas próprias. Os clientes são considerados desagradáveis incumbências, os serviços são prestados com má-vontade e os funcionários procuram trabalhar menos para ganhar mais, sem olhar em volta para ver como funciona o mercado. Quando afundam a empresa, exigem que o governo intervenha para cobrir as perdas com dinheiro público, coisa que o governo faz com prazer porque considera a tal empresa como reservatório de votos.

Esse é precisamento o caso da Alitalia. Está afundando e os funcionários não procuram fazê-la subir novamente, mas somente salvar os seus postos de trabalho. Parecem os passageiros do Titanic que dançam à música de violinos enquanto o navio afunda. A Air France fez uma tentativa de salvamento, mas teve de se render porque os sindicatos se opõem à demissão de 2600 funcionários supérfluos. Até mesmo as crianças sabem que, sem se desfazer do lastro, não se pode voar. De acordo com as leis do mercado a Alitalia deveria falir de uma vez, mas as injeções de dinheiro público a mantiveram precariamente voando. Agora os motores fundem porque os franceses não são um instituto beneficente, pouco se importam com os votos e querem produtividade. Assim, querida Alitalia, para ter recusado um verdadeiro plano de salvamento agora resta escolher entre a falência e Berlusconi, come se diz: entre a peste e a cólera. Dá pra cair mais ainda?"

terça-feira, 1 de abril de 2008

Tempo = dinheiro

Depois de muitas situações adversas, parei pra pensar um pouco. Refleti o suficiente para chegar a uma conclusão mais ou menos justificadora da infinidade de problemas que existem na Itália.

As pessoas aqui não têm a ambição de subir na vida, em geral. Tudo o que eles querem é um salário maior (mesmo que pouco) que as despesas mensais e pronto, tudo resolvido do ponto de vista da vida profissional. A massa não almeja subir de posição, buscar um cargo (e salário) melhor(es).

Informações privilegiadas e internas que tenho de um escritório de arquitetura ilustram tal situação. Vejam:
Ao finalizar parte do projeto deve-se iniciar a busca por imprecisões e fazer uma verificação fora do computador, olhando o conjunto. Duas sugestões são feitas:
- Enviar o arquivo pra uma loja plotadora e ir buscar as plantas depois de 1,5 hora;
- Imprimir no próprio escritório em papel menor e emendá-los pra começar a revisão em 15 minutos.

A opção desejada pela responsável por decidir isso foi, obviamente, a menos produtiva opção de 1,5 hora.

O problema é que ninguém enxerga que produtividade é um ponto positivo. Se o projeto fica pronto antes, é menos dinheiro pago inutilmente, menos horas-trabalho desperdiçadas e mais eficiência. Opa, toquei no ponto: Eficiência... Pra que? Se eu ganho, no final do mês, o suficiente pra manter minha vida exatamente como está e, no futuro, continuar sempre no mesmo nível?

Inútil pensar que eles vão enxergar isso. Por isso que os turcos aqui ganham dinheiro. As lojinhas de Kebab (espécie churrasquinho grego) ficam abertas de 11:00 às 00:00. O equivalente italiano abre de 11:00 a 15:00 e de 18:00 a 22:00.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Depto. de Informações Inúteis

Chegando numa Agência de Turismo
- Boa tarde, gostaria de saber o preço de uma passagem de trem de Zurique (Suíça) a Innsbruck (Austria).
- Infelizmente não conseguimos fazer essa pesquisa por aqui, lamento, mas em Zurique o senhor consegue.

Não diga!!!! Quer dizer que na estação de trem de onde PARTE o trem, eu consigo??? Ainda bem que me avisaram, eu nunca imaginaria uma coisa assim mesmo.

Na Itália, qualquer lugar onde estiver escrito "informações" deve-se ler: "Seja mal atendido, pergunte-me como" ou então "Caras feias e má vontade GRÁTIS".

Uma empresa prestadora de serviços deveria ter como slogan "Péssimos serviços e atendimento, com garantia de não devolvermos o seu dinheiro".

Só falta agora descobrir onde colocar o "Depto. de Respostas Óbvias" e tudo fica perfeito.