O trânsito. Andar de carro ou dirigir aqui na Itália são atividades que se traduzem como uma aventura radical. Tive algumas chances de pegar caronas ou de andar de taxi e, boa parte delas, foi “adrenalina pura”.
Na minha vida de pedestre, no entanto, percebo o efeito sutil, quase subjetivo que a lei de trânsito exerce sobre os motoristas. Quase todas as crianças brasileiras (desconheço as daqui, vejo pouquíssimas e falo com menos ainda), aprendem na escola que o semáforo tem três cores: vermelho, amarelo e verde. Para cada uma delas, existe um significado e um comportamento que deve ser adotado, ditado pela Lei. No caso do Brasil, o Código Nacional de Trânsito e aqui, o Codice della Strada.
Verde
Brasil: Siga.
Itália: Siga.
Verde e Amarelo
Brasil: Não existe.
Itália: Siga (Teoricamente é o sinal amarelo em Torino, mas o significado é esse).
Amarelo
Brasil: Atenção! Se estiver atravessando, siga, se estiver antes da faixa de pedestres, pare.
Itália: Embora o sinal esteja fechando, buzine algumas vezes e passe. Prepare-se para desviar de algum pedestre.
Vermelho
Brasil: Pare ou, se estiver de noite ou com muita pressa ou ninguém olhando, siga com cautela
Itália: Passe buzinando, prepare-se para reduzir a velocidade caso ninguém tenha ouvido sua buzina ou se algum pedestre resolver atravessar na faixa.
A minha conclusão é que tanto no Brasil quanto na Itália, o semáforo é freqüentemente desrespeitado. A questão é que o italiano encara o semáforo mais como uma “sugestão” de comportamento do que uma Lei. Prova disso é que raramente algum cruzamento conta com radares para multar os infratores como se vê freqüentemente no Brasil.